Resenha: Fisheye, de Kamile Girão, por Michelle Pereira







Ficha Técnica:
Título: Fisheye
Autor: Kamile Girão
Editora: Wish
Ano de Lançamento: 2017

Gênero: Romance
Páginas: 316
Preço Médio: R$ 37,00





Hey, pessoal! Como estão?

Estão preparados para a resenha dessa semana? Porque o livro escolhido para hoje é arrebatador. É isso mesmo: estou falando de Fisheye, da gracinha Kamile Girão, parceria do Notinhas!

A primeira coisa que devo dizer é: li o livro sem conhecer a sinopse. Já tinha ouvido falarem bem da Kami, participei da antologia organizado por ela, Criaturas do Submundo, da Editora Wish, e quando ela abriu parceria, puff! Corri atrás. Com todo esse histórico, apostei minhas fichas em Fisheye e plim plim plim, ganhei 1 milhão!





Sou uma pessoa viciada em fantasia e logo pensei, pela capa e pelo título que era uma dessas histórias que me esperaria naquelas páginas, mas não. Foi uma surpresa boa um romance como Fisheye e não tenho uma vírgula para reclamar.

Ravena, nossa protagonista, é uma daquelas patricinhas da escola que se acham as donas do mundo e que tanto odiei no Ensino Médio, logo comecei a leitura já querendo voar nela... mas no decorrer da história... Nossa!

Tudo começa a descer a ladeira com uma badalada festa que Ravena não queria perder de jeito nenhum, pois seria a top das tops antes das aulas começarem. Mesmo sabendo que havia alguma coisa errada com ela, Vena, quis ir. O orgulho falava mais alto que tudo, logo, faltar não era uma opção. Mas... por que estava tão escuro? Por que o mundo parecia mergulhado em trevas?




Se dentro de casa estava tudo tão errado, ao sair na rua, tudo parecia pior, ainda mais envolto em sombras. Ainda assim, ela quis sair com Micael, seu melhor amigo (mesmo que ele tenha se oferecido para voltarem para casa, percebendo o quanto ela estava estranha), para uma boate que estaria mais escura ainda.

Por que estando na merda, o melhor é passar na cara né?

Não deu outra... ao entrar no local, Ravena ficou ainda mais perdida, sem poder enxergar nada. O mundo era negro. Se ela tivesse dado ouvidos a Micael e voltado para casa... Contudo, seu orgulho de queen bee da escola não permitiria. Nunca! E foi ali que tudo deu errado: temporariamente cega, depois de ser atingida pelo brilho intenso de um canhão de luz, Ravena acabou se estatelando no chão, quebrando o salto e machucando a testa. E o que ela fez? Começou a rir como uma louca. Tudo ok? Só um deslize, né?




Só que não foi bem isso que se sucedeu: Ravena havia entrado na boate com uma identidade falsa, precisou ser buscada pelo pai e ainda pegou um castigo dos bons, sem celular, nem conexão com a vida digital.

O problema é que, quando ela voltou para a escola, havia um vídeo circulando que mostrava sua queda e muitos burburinhos sobre o que teria acontecido. Bêbada? Drogada? Maluca? Ela estava sóbria, mas quem disse que alguém acreditou nela? Nem o pai, nem a mãe, nem o quase namorado, muito menos aquelas que se diziam suas amigas.

O sentimento de traição que Ravena experimentou foi péssimo. Para piorar de vez, e terminar de arrasar com todo o emocional da garota, ela descobriu ter retinose pigmentar, uma doença que tiraria sua visão, já comprometida, pouco a pouco.




Foi uma mescla de sentimentos muito intensos com os quais lidar: a raiva por não ter percebido que não era normal, que ser desastrada tinha uma explicação, e era a RP; a mágoa pelos pais ausentes, que não perceberam que a filha tinha uma doença; o orgulho ferido por não ser aquela garota perfeita cuja imagem ela queria manter; as falsas amigas, que lhe deram as costas assim que tiveram oportunidade.


"- Você não é a sua doença, então não deixe e não sita pena de si mesma. Tanto eu quanto você somos apenas duas pessoas diferentes à nossa maneira e isso não é motivo para receber a piedade de ninguém."

Tudo que Ravena tinha, ou pensava ter, lhe foi tirado de forma abrupta e cruel e nada parecia ter solução. Toda aparência que ela havia construído por anos havia desabado na sua frente e nada poderia ser feito. E talvez, ela não precisasse que nada fosse feito. Ela precisava mudar.


"Havia algo de humano nele, algo que eu queria manter comigo. Algo que não existiu durante toda minha vida estudantil até aquele momento. Ele era verdadeiro."

Em meio a isso, uma coisa boa ela ganhou: um novo grande amigo. Daniel, sobrinho do padre, violinista e o garoto que ela e suas “amigas” costumavam desdenhar, por ter metade do corpo queimado. Ganhou também, aliás, uma nova oportunidade para ver a vida. Em todos os sentidos e, em um especial, através das lentes de uma câmera analógica.




Fisheye me fez chorar, ponto. Muito. No ônibus, na rua, em casa. Eu disse para a Kami que esse livro partiria meu coração, mas na verdade, ele juntou alguns caquinhos. Fisheye é tão bonito, tão singelo e tem uma lição tão, mas tão importante! Não, ele não poderia me quebrar.


"Porque é o seu sorriso, Ravena, e a beleza dos seus olhos que me iluminam diariamente."

O que tenho a dizer e apenas isso: Fisheye é uma das melhores histórias que já li, um dos melhores livros nacionais que tive a oportunidade de conhecer e certamente, um livro que indicarei muito. A lição que a história passa... Uau!

Kami é uma gracinha de pessoa, tem uma escrita invejável e sabe como fazer aflorar os mais diversos sentimentos no leitor. Qualquer elogio será pouco. Fisheye é incrível!

A capa é aquela coisa maravilhosa feita pela talentosa Marina Ávila, que também fez a capa do meu livro, e está impecável. Do mesmo modo, a diagramação está linda! Ao longo do texto, estão as fotos do press kit recebido da Kami que eu amei de paixão! S2 S2 S2 As ilustrações estão a coisa mais linda do mundo! (Falou colocar só uma, mas achei que ela dá um spoiler meio tenso hahaha)

Nada mais a declarar, apenas: leiam.

Hugs!

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